Violência contra a mulher é uma questão cultural, analisa psicóloga

Em entrevista à RBC, Célia Matias aponta uma sociedade machista e alerta para os sinais que os homens com tendências agressivas passam para as mulheres envolvidas em um relacionamento doentio

Agressões contra a mulher acontecem diariamente em diferentes ambientes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três, ou seja, mais de 30% das mulheres em todo o mundo já foram submetidas a algum tipo de violência, seja física, sexual ou verbal. E nem sempre a personalidade agressiva é percebida a tempo pelas vítimas.

A psicóloga clínica Célia Matias falou sobre o assunto nesta terça-feira, 22, durante entrevista concedida ao programa O Mundo em sua Casa das rádios Brasil Central AM e RBC FM. Na sua avaliação, trata-se de uma questão cultural. “E isso é muito sério, porque nós ainda estamos (vivendo) dentro de uma sociedade machista”, afirmou.

A especialista alertou para os sinais emitidos por esse homem potencialmente agressivo. Conforme ela, o pior é que a mulher identifica esses sinais, mas continua em silêncio. Como exemplo, Célia Matias citou um homem que deixa a mulher extremamente insegura no relacionamento, coloca defeito em tudo que ela faz, exagera quando ela falha.

Amor doentio

Todos os dias ele está massacrando a companheira, dizendo que ninguém vai querê-la a não ser ele mesmo, que ela teve sorte de encontrá-lo. “E ela sabe que está correndo risco, mas continua dependente desse amor doentio”, disse.

Questionada sobre a orientação para que a mulher denuncie o agressor, embora a própria lei não o mantenha preso e alguns voltem para se vingar e até matar, a psicóloga concordou que se trata de “uma falha muito grande das nossas leis penais”. Isso porque algumas mulheres que tiveram coragem de denunciar, depois sofreram prejuízo muito grande, pois esse homem volta a ter acesso a ela, e às vezes volta para morar dentro da mesma casa.

“A maioria das mulheres tem medo de denunciar, porque esses homens que têm esse tipo de transtorno se acham superiores, especiais, e sabem que a justiça vai acabar liberando eles. Então, (a legislação penal) precisa sim de uma reforma urgente”, defendeu.

ABC Digital

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