Remédios Genéricos transformam a saúde e a paisagem

A humanidade sempre precisou de remédios, mas apenas no Século XIX uma indústria de fato surgiu para isso. E no fim do Século XX, a possibilidade de copiar formulações de forma legítima transformou o acesso aos tratamentos

A humanidade sempre procurou formas de contornar e melhorar sua sobrevivência. Mesmo quando era demandada a ajuda dos céus, essa se fazia presente por meio de diversos preparados que poderiam ajudar fisicamente o homem. Mas é apenas nos últimos 150 anos que esse trabalho aliou-se ao desenvolvimento da produção industrial, sendo que a indústria farmacêutica foi base da chamada Segunda Revolução Industrial. Nas últimas décadas do Século XIX e nas primeiras do Século XX, a produção e a pesquisa de novos remédios expandiu-se, fazendo com que houvesse a disponibilidade de todo um novo universo de produtos para a saúde das pessoas.

Tecnologias estrangeiras e conhecimento brasileiro

O Brasil não pode ser considerado um país central tecnologicamente, mas durante os anos iniciais do Século XX começam a ter atuação mais importante. O papel do estado também foi importante na criação de institutos e espaços para a pesquisa de doenças tropicais, vacinas e tratamentos específicos.

A política de desenvolvimento da indústria nacional no pós-guerra possibilitou melhorias no parque industrial farmacêutico, de modo que o Brasil passou a produzir remédios mais elaborados e não apenas manipular produtos de origem natural. Mas ainda assim a indústria nacional acabava mais por envasar matérias primas importadas, produzindo medicamentos similares, mas sem investir em pesquisa ou inovação como as empresas estrangeiras.

Os anos 1970 e 1980 foram de estagnação, devido aos problemas econômicos que o país vivenciou, mas a partir dos anos 1990 a estabilização da economia nacional e as transformações das relações globais possibilitou que a indústria brasileira de remédios vivenciasse grandes transformações.

Igual de todo jeito: o surgimento dos genéricos

Uma delas foi a criação de uma política que permitiu a produção dos chamados medicamentos genéricos no Brasil. Apesar de serem realidade nos EUA desde os anos 1960, apenas com o projeto que definia o maior destaque nas embalagens de medicamentos do princípio ativo, proposto em 1991, que a discussão sobre “genéricos” começou a ganhar corpo no país.

Dois anos depois, um passo significativo rumo a produção de genéricos foi dado com a adoção da Denominação Comum Brasileira e da Nomenclatura Comum do Mercosul de produtos farmacológicos, que reforçou a possibilidade de garantir a chamada bioequivalência das matérias-primas utilizadas pelas diversas indústrias farmacêuticas.

Na esteira dessas mudanças, no ano de 1999 é posta em ação a “Lei dos Genéricos”, que possibilitou às empresas nacionais produzir medicamentos com equivalência aos “remédios de referência” que tivessem sua patente expirada (ou seja: que já tenham mais de 20 anos de patente registrada junto ao INPI). Tal possibilidade possibilitou aumentar a concorrência entre as indústrias farmacêuticas e reduzir o custo dos medicamentos atingidos pela legislação em pelo menos 35% em relação ao medicamento de referência. Essa discussão também abarca remédios mais recentes, de alto custo, mas que podem beneficiar grandes parcelas da sociedade, como os antivirais indicados para o tratamento das infecções por HIV/AIDS.

Polo de conexão e distribuição

A interiorização do país projetada com a transferência da capital federal para o planalto central demandou mudanças profundas em diversas áreas. A logística foi uma delas, visto que mudou-se todo o ordenamento territorial do pais, surgindo a necessidade de novos caminhos para ligar as diversas partes do país com a nova capital. O crescimento das diversas áreas urbanas do país entre as décadas de 1960 e 1980 e as mudanças nos polos de produção industrial começaram a possibilitar que novas áreas se industrializassem.

Se em 1976 o surgimento do DAIA (Distrito Agroindustrial de Anápolis) serviu de pontapé inicial para as transformações da cidade, nos anos 1990 Anápolis se torna um polo importante de produção de remédios genéricos – e mesmo de referência, com uma boa ajuda de investimentos governamentais em infraestrutura. São mais de 20 empresas que produzem insumos e medicamentos para o mercado nacional e internacional, onde são atendidos especialmente países sul-americanos e que fazem desse setor uma potência no país, sendo ele o segundo maior do país, ficando atrás apenas de São Paulo.

As mudanças no país e as ações do governo possibilitaram que os eixos de desenvolvimento do país saíssem do litoral, cruzando serras e planaltos e fazendo de Goiás um ponto de articulação entre todos os pontos da federação, oferecendo braços, inteligência e expertise para novas indústrias e inovando a produção de bens e valores para o Brasil.

Givaldo Corcinio – historiador – ABC Digital

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