Psicólogo forense explica ao TBC 1 como se dá a reconstituição de um assassinato como o do garoto Danilo

Leonardo Faria disse que tudo precisa ser gravado, para que posteriormente se possa fazer a análise de como ocorreu e do comportamento dos assassinos

O psicólogo forense Leonardo Faria e a apresentadora Michelle Bouson, nos estúdios da TBC

A reconstituição da morte do garoto Danilo, de 7 anos de idade, em Goiânia, tomou conta do noticiário desta quinta-feira, 6. O padrasto e um amigo estão presos pelo assassinato. Para elucidar melhor os fatos e juntar provas mais robustas que fortaleçam o inquérito, a Polícia Civil de Goiás está hoje envolvida com essa reconstituição. O psicólogo forense Leonardo Faria explicou ao TBC 1 como é feita e quais os resultados pretendidos com ela. Segundo ele, a reconstituição envolve equipe de peritos criminais, delegados, policiais e todos os envolvidos na investigação e que através dessa técnica é possível voltar de fato “ao possível histórico real do que aconteceu”.

Entrevistado pela apresentadora Michelle Bouson, ele disse que do ponto de vista psicológico a reconstituição é importante para “esclarecer possíveis dúvidas que ficaram no momento do crime, do que a pessoa falou, argumentou. É um trabalho importante que serve justamente para juntar mais conjunto probatório para a investigação a ser feita pela Delegacia de Homicídio”.

Falou ainda que o psicólogo forense também participa quando solicitado, cabendo a ele analisar os comportamentos gestuais e verbais e ajudar também a formular perguntas. “Uma pergunta bem formulada traz respostas mais coerentes. Essas respostas são analisadas, como o significado do que a pessoa falou e o comportamento gestual também. É comum em situação que envolve estresse, conflitos, o aspecto emocional interferir no registro de memórias. A isso chamamos de falsas memórias. Nós já tivemos casos em que testemunhas e envolvidos relatam fatos que não acontecerem e que não são de fato, mas sim uma falsa memória. Diante da carga emotiva muito grande, você causa uma falha no registro do fato e no armazenamento de dados”, afirmou.

Ele explicou que a falsa memória não é uma simulação, “porque a pessoa não tem a intenção de produzir um falso relato”. Observou que questão não é nem o que perguntar, mas como perguntar. “A forma como nós perguntamos algo para alguém pode interferir na resposta que nós temos. Quando os termos linguísticos são bem empregados, temos respostas mais coerentes, a investigação fica mais consistente e chegamos mais à realidade dos fatos”, explicou.

Segundo afirmou, há pesquisas que falam que uma boa entrevista investigativa melhora em 60% 70% a apuração dos dados, “haja vista que um dos maiores empecilhos que tem relacionados para guardar fatos de um crime é o tempo e a carga afetiva”. Informou também que tudo deve ser filmado, porque a análise não é feita na hora, ao vivo. “A gente precisa gravar e levar para um estúdio de áudio e vídeo, e vamos rever a forma de expressar do corpo e da fala. Para nós, é mais difícil analisar casos que envolvem a psicopatia, porque ela na verdade não é uma doença mental, é um transtorno de personalidade, e geralmente essas pessoas têm uma capacidade maquiavélica de planejar, de organizar, de estar verificando os próprios comportamentos e se automonitorando diante de uma situação de conflito” aprofundou, acrescentando que se a pessoa é portadora de esquizofrenia, de um comportamento bipolar, fica mais fácil, “porque se ela tenta simular vai parecer mais um professor de psiquiatria”.

Confira todos os detalhes na íntegra da entrevista:

ABC Digital