Professor da UFG fala no TBC 1 sobre estudo que embasou decreto do isolamento intermitente em Goiás

José Alexandre disse que os pesquisadores não sugerem medidas aos governos, apenas mostram cenários para a tomada de decisões

O professor e pesquisador José Alexandre Felizola Diniz Filho e a apresentadora Danuza Azevedo, nos estúdios da TBC

O decreto do governo estadual que determina o isolamento intermitente de 14 dias em Goiás a partir de 30 de junho, publicado na última segunda-feira, 29, foi feito com base em prognósticos de cenários para a Covid-19 realizados por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Para explicar como esses estudos são feitos, a apresentadora do TBC 1, Danuza Azevedo, conversou nesta quarta-feira, 1º de julho, com o professor e pesquisador José Alexandre Felizola Diniz Filho, do Instituto de Ciências Biológicas da UFG. Biólogo, mestre e doutor em zoologia, José Alexandre disse que o grupo não recomendou o isolamento intermitente, mas apenas apresentou ao governo as projeções para os diferentes cenários de expansão da doença em Goiás.

“Nosso modelo simula a progressão da epidemia no estado e a gente acerta os parâmetros do modelo, por exemplo, a velocidade em que a doença cresce, quanto tempo uma pessoa precisa para desenvolver os sintomas, quanto tempo a pessoa fica internada e quanto tempo pode demorar para a pessoa falecer. Com isso, a gente consegue reconstruir a trajetória da epidemia e construir cenários a partir do isolamento social”, explicou José Alexandre.

Segundo ele, o principal elemento nessas projeções é o isolamento social, já que ele define a evolução das infecções e a consequente necessidade de socorro hospitalar. “Se a gente compara o número de mortos, por exemplo, de duas ou três semanas atrás, quando tínhamos 200 mortes, com hoje, quando passamos de 500 mortes, você percebe isso”, disse exemplificando a velocidade de progressão da doença no estado em relação ao baixo índice de isolamento social, hoje em torno de 35%.

O professor e pesquisador da UFG terminou afirmando que os cenários revelados nos estudos do grupo precisam ser vistos não apenas para adoção de medidas de isolamento social sozinhas, mas que isso possa ser feito com aumento de vigilância epidemiológica, reforçando a estrutura de saúde em todos os níveis e aumentando o número de testes na população. 

“Se a gente fizer as várias estratégias ao mesmo tempo, existe uma boa chance de a gente diminuir esse número de transmissão da doença. E isso não é só uma questão de governo, é uma questão da sociedade também de entender o problema”, afirmou. 

Confira a entrevista completa:

ABC Digital