Presidente do Sindicato fala ao TBC 1 sobre as dificuldades vividas pelas escolas particulares por causa da pandemia

Flávio Roberto de Castro disse que a inadimplência já está em 50% e que na educação infantil 90% dos contratos já foram cancelados

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia, Flávio Roberto de Castro, e a apresentadora Michelle Bouson, nos estúdios da TBC

É grande a preocupação do setor educacional, que vem passando por um processo de muita dificuldade e que pode levar ao fechamento de muitas escolas, especialmente as particulares, por causa das restrições da pandemia da Covid-19, que mantém os estabelecimentos fechados há 149 dias, contando as férias. O alerta foi feito pelo presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia, Flávio Roberto de Castro, no telejornal TBC 1, da TV Brasil Central, observando que isso tem levado algumas delas a darem 70% de descontos nas mensalidades, para tentar encontrar uma saída e não fecharem.

Ele disse que a inadimplência já chegou a 50%, e que na educação infantil praticamente 90% dos contratos já foram cancelados. “No mês de agosto, as escolas estão fechando as turmas e eu temo muito, durante o mês de agosto, o fechamento da grande maioria das escolas. Só em Goiânia temos 526 escolas de educação infantil. Dessas, em torno de 80%, umas 400 escolas, são de pequeno porte, têm 300, 200 alunos e cobram mensalidades pequenas”, afirmou.

Ele enfatizou que entende as dificuldades das famílias e também que o acesso ao ensino pelas aulas remotas é mais difícil para as crianças de zero a seis anos. Confirmou que nos ensinos fundamental e médio a inadimplência também é muito grande. “O setor está vivendo uma crise nunca vista. Com a não possibilidade da volta às aulas no mês de agosto a tendência é de se agravar”, acrescentou, observando que isso leva as escolas a darem esse desconto de 70%, mas nem assim estão conseguindo segurar os alunos. De acordo com ele, para algumas escolas que pegaram empréstimo no sistema bancário para manter folha de pagamento está sendo pior, porque agora não têm mais os alunos.

Envolvimento de todos

Ele clamou por uma solução, envolvendo várias esferas institucionais: “Entendemos a situação das famílias, mas também que a sustentabilidade financeira das escolas depende de suas anuidades. Está difícil. Na educação infantil teremos um problema seriíssimo. Em Goiânia, a rede pública e privada não atendiam a demanda que existia. A rede privada é responsável por 60% do atendimento. Preocupa voltar ao normal e muitas dessas escolas não existirem mais. É necessário um esforço da parte de todos, prefeitura, governo e a comunidade como um todo para acharmos uma solução”.

Para Flávio, a segurança no retorno das aulas é importante para todos os envolvidos e que retornar as aulas com uma vacina seria o ideal, “mas nós não estamos vivendo o ideal”. Segundo ele, a educação está ficando em último lugar. “Todos os outros segmentos voltaram. Nossa preocupação primeira é com a segurança da saúde dos professores, alunos e auxiliares, mas não podemos cruzar os braços, porque o setor está desmoronando e a gente precisa fazer algo, principalmente pela educação infantil”, sentenciou.

A íntegra da entrevista está disponível abaixo:

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