Política do teletrabalho pode vir a ser adotada de forma definitiva no setor público estadual, diz secretário da Administração à RBC

Conforme Bruno D’Abadia, a situação da pandemia está sendo um verdadeiro laboratório para se entender o funcionamento desse sistema; mas ponderou que se o teletrabalho for adotado pelo Estado, terá regras claras

O secretário de Estado da Administração, Bruno D’Abadia afirmou nesta segunda-feira, 3, que a política de teletrabalho pode vir a ser adotada de forma definitiva no setor público estadual. “Mas com regras claras e, obviamente com um percentual menor de servidores do que existe hoje (por causa da pandemia); contemplando o aumento de produtividade e a maturidade que alguns servidores têm para trabalhar em casa”, afirmou.

A declaração foi feita durante entrevista concedida ao programa O Mundo em sua Casa das rádios Brasil Central AM e RBC FM. A adoção do regime de teletrabalho ajudou o Governo do Estado a obter uma economia de mais de R$ 40 milhões no segundo trimestre deste ano. Ele foi adotado devido à Covid-19 e passou a ser realizado por servidores públicos nas atividades em que o contato presencial não fosse imprescindível.

Bruno D’Abadia disse aos apresentadores Ernesto Fleury e Lucas Nogueira que a redução de gastos neste período ocorreu em material de expediente, com o pagamento de diárias e passagens de servidores para viagens a Brasília e outros Estados, e também nas contas de água e esgoto, energia elétrica e telefonia. Em função dos servidores estarem trabalhando em suas casas, houve economia nessas despesas nas repartições públicas, afirmou.

Pesquisa

Segundo ele, a Secretaria da Administração realizou uma pesquisa abrangente para saber a visão dos servidores, gerentes e superintendentes a respeito do teletrabalho. Foram constatadas vantagens claras, como a economia para o Estado já citada. O secretário também das questões socioambientais. “Nós tiramos aproximadamente 20 mil carros do trânsito na Região Metropolitana (de Goiânia)”, destacou. Disse ainda que a pesquisa apontou como grande vantagem o fato de que é possível se organizar e isso se reflete no aumento da produtividade do servidor público.

Porém, acrescentou Bruno, foi verificada também a dificuldade do servidor em gerir sua carga de trabalho. Muitos deles relataram que estão mais estressados e sobrecarregados, que não conseguem separar bem a vida pessoal e a vida do trabalho, como se o trabalho tomasse conta do dia inteiro. “Então nós precisamos trabalhar, pensando nessa política de teletrabalho definitiva, para que venha contemplar casos específicos, com regras bem claras. Temos de considerar também os efeitos deletérios. Precisamos trabalhar a formação e a capacitação do servidor para ele se habilitar a fazer o trabalho remoto”, ponderou.

O secretário da Administração declarou que a situação de pandemia é um “verdadeiro laboratório” para se entender o funcionamento do teletrabalho. Em função disso, está demandando do Governo do Estado um sistema de acompanhamento de produtividade (dos servidores).

Disse entender que a política de teletrabalho pode vir a ser implementada no Estado. Isso com o sistema de acompanhamento da produtividade dos servidores em tempo basicamente integral, com as políticas corretas e os tipos de atividades que podem ser desenvolvidas de forma remota, e quais vão permanecer na forma presencial (como o atendimento dos Vapt Vupt e do Detran, por exemplo), e entendendo a métrica de avaliação do desempenho do servidor.

ABC Digital