No alto falante ou no smartphone: o radialista leva emoções e informação

Muitos já declararam que o rádio iria morrer, mas ele e o radialista ainda fazem a alegria de muitos por aí, levando curiosidade, informação e emoção para todo lugar, seja um rádio das antigas ou num telefone supermoderno

Quem diz que “O rádio vai morrer” ou que “ele já morreu” é certeza de duas coisas: conseguir uma briga com quem lida com essa mídia cotidianamente e deixar claro que não está tão atento aos movimentos que existem dentro dos meios de comunicação. O rádio faz parte do cotidiano das pessoas nos mais diversos espaços, seja na cidade ou fora dela, e acaba por fazer companhia aos indivíduos nos diversos momentos do cotidiano.

Mas o rádio não é apenas o equipamento, a técnica e todo aparato que possibilitam a transmissão de voz entre o estúdio e o equipamento do ouvinte, que foi desenvolvido pelos idos do século XIX. A magia do rádio se efetiva com os sons que chegam a muitos quilômetros de distância, com entonações, emoções e informações que de outro modo possivelmente não chegariam de forma tão direta e que deixassem de modo tão próximo o ouvinte a esse universo todo de tecnologia e fantasia. Foi a profissão que surgiu no instante que o primeiro transmissor de rádio para o público foi ligado, que oferece toda a magia que a voz pode alimentar nas pessoas.

Várias datas, várias lembranças

É na voz das mulheres e homens que se colocam a compartilhar sons e sensações que o rádio é lembrado. E esse personagem, o radialista, é tão significativo que ele acaba tendo três datas para ser celebrado. E cada uma delas tem um significado diferente, lembrando também a diversidade que as ondas radiofônicas trouxeram para as casas e oficinas de trabalhado por todo canto do país.

Cada uma dessas datas carrega em si significados e símbolos do tempo e daquilo que era buscado por quem instituiu a “data comemorativa”. Assim, os radialistas podem ser lembrados no dia 21 de setembro, pois em 1945 foi promulgada uma lei pelo governo Vargas que regulava o salário daqueles que trabalhavam na radiodifusão. Nessa comemoração vemos a questão do trabalho, que muitas vezes passa despercebido por quem ouve no dia a dia aquelas vozes tão importantes, sejam elas alegres ou empostadas e sérias.

Mas os radialistas podem ser lembrados também no dia 25 de setembro, e esse dia é de uma identidade de grupo, pois rememora o nascimento de Roquette Pinto em 1884, pioneiro na radiodifusão brasileira (ele foi considerado como o primeiro “radialista” do Brasil, tendo fundado a primeira emissora em 1922, porém atualmente existem discussões em relação a esse pioneirismo). Tal celebração foi definida pelos proprietários de emissoras durante o IV Congresso Brasileiro da Radiodifusão e criaria uma questão de identidade e memória.

Finalmente, o dia 07 de novembro também envolve identidade, mas também de valorização de “símbolos nacionais”: nesse dia é lembrado o nascimento de Ary Barroso que, além de radialista, foi autor, músico (é dele a famosa Aquarela do Brasil) e narrador esportivo, tendo um programa de rádio famoso nos anos 1930 por revelar grandes cantores.

Transmitindo desde o coração do Brasil… e para coração dos ouvintes

Goiás recebe o rádio aproximadamente 20 anos depois da primeira transmissão pioneira no Brasil. Com um som ruidoso, vai chegando às praças das cidades maiores, por meio primeiro dos alto-falantes e depois por emissoras propriamente ditas. As histórias que carregaram fazem com que o rádio esteja num lugar especial na memória goiana, já que ele chegou antes de muitas transformações técnicas e mesmo antes da capital, Goiânia, símbolo de uma modernidade desejada por parte da elite goiana.

O rádio foi, nessas terras distantes dos centros culturais e políticos dos anos 1920 e 1930, o difusor de ideias e o articulador da curiosidade das pessoas. A Rádio Brasil Central surgiu com essa energia, trazendo uma programação diversificada e informativa, engajando-se em grandes campanhas como a da mudança da capital para o Planalto Central. Já a RBC FM foi pioneira e trouxe música diferenciada e de qualidade para o dial da cidade já nos anos 1970, junto com a TV, que recebeu muitos talentos dos nossos estúdios.

Hoje, o radialista não fica apenas “na latinha”, pousado em cada número do dial. O rádio se transformou e dispersou sobre os bits da internet com os podcasts e ele não só acompanha o ouvinte com também permite agora que ele monte sua própria lista de companheiros cotidianos, escolhendo a frequência que eles podem aparecer e acompanhá-lo. Todas essas datas são lembretes da importância não só do papel dos radialistas no nosso cotidiano, mas também dos próprios marcos que foram tomados como símbolos para lembrar-nos das vozes e das estruturas que trazem informações e sensações por meio das ondas sonoras.

Givaldo Corcinio – ABC Digital

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