Neurologista diz no TBC 1 que sonolência pode ser um sintoma da Covid-19

Neurologista Marcela Agostinho explicou que o processo inflamatório pode causar sonolência e também dor de cabeça

A médica neurologista Marcela Agostinho e a apresentadora Michelle Bouson, nos estúdios da TBC

Os consultórios dos médicos neurologistas em Goiás estão recebendo vários casos de pessoas que apesentam muita sonolência e testam positivo para a Covid-19 e também, depois de curadas, sofrem com uma persistente dor de cabeça. Para explicar sobre esses casos, o TBC 1 , da Televisão Brasil Central, entrevistou nesta quinta-feira, 20, a médica neurologista Marcela Agostinho, que informou que a sonolência é um sintoma muito frequente, por causa da resposta inflamatória que é intensa. “A doença acaba inflamando o corpo de uma forma geral, debilitando muito o paciente e isso pode causar a sonolência”, observou.

Ela disse que acontece de chegar paciente com o sintoma só de sonolência e isso ocorre porque cai a taxa de oxigênio no sangue, a pessoa retém muito CO2 no organismo e isso pode gerar sonolência. “No cérebro existem muitos receptores, chamados de ECA 2, por onde o vírus entra na célula e isso pode ser uma explicação da sonolência, porque o vírus e a resposta inflamatória muito exagerada geram fraqueza e acabam dando sonolência devido à toxemia, provocando respostas no sistema nervoso central também”, explicou.

Segundo ela, quando o paciente tem rebaixamento do nível de consciência, muita sonolência, desmaio, tontura em excesso, recomenda que se realize ressonância ao invés da tomografia, “porque muitas vezes a tomografia não revela encefalite, que é uma das consequências da infecção viral”. No início da dor de cabeça, disse que recomenda o uso de analgésicos simples, como dipirona e paracetamol. No seu consultório, ela informou, está havendo uma cronificação da dor de cabeça. A pessoa é curada do coronavírus, mas a dor de cabeça pode permanecer por um mês, dois meses. “Isso eu estou vendo. Dessa forma, é necessário trocar o remédio, porque o uso excessivo de analgésico pode piorar a dor e ela ficar crônica por mais tempo e aí pode virar um problema bem crônico. O que eu recomendo é o seguinte: na fase aguda, analgésico comum; se cronificou, está um mês, dois ou três meses após a infecção, procure um neurologista para o tratamento da dor de cabeça pós Covid”, argumentou.

Confira todos os detalhes na entrevista:

ABC Digital