Não é preciso esperar 24 horas para comunicar o desaparecimento de alguém, diz gestora do Ministério Público

O MPGO está reforçando a importância da utilização do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos, inclusive durante a pandemia; página do Sinalid na internet foi reestruturada

Não é preciso esperar 24 horas para comunicar o desaparecimento de alguém. Os primeiros momentos são muito importantes para o êxito na localização. A afirmação é da gestora técnica do Programa de Localização e Identificação de Pessoas Desaparecidas (PLID Goiás) do Ministério Público Estadual (MPGO), Kérima Ferreira Sobrinho. Ela concedeu entrevista, nesta quinta-feira, 10, ao programa o Mundo em sua Casa das rádios Brasil Central AM e RBC FM.

O MPGO está reforçando a importância da utilização do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid), cuja página na internet foi reestruturada. Segundo Comissão de Defesa dos Direitos Fundamentais do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), no atual contexto da pandemia da Covid-19, é fundamental a aproximação e o envolvimento também do sistema de saúde e das unidades hospitalares.

A meta é promover a inserção dos dados de pessoa não identificada durante o período de internação hospitalar devido à Covid-19; ou que, porventura, vier a óbito. Kérima explicou que o Sinalid veio cumprir uma lacuna histórica em relação ao enfrentamento do desaparecimento de pessoas. Até 2017 não havia um sistema que integrasse as ocorrências de desaparecimento, o que causava um déficit de informações. A partir daquele ano, o CNPM passou a gerir o Sinalid, oriundo do Ministério Público do Rio de Janeiro, que já vinha tratando desse tema desde 2010.

Importância

A gestora do MPGO disse aos apresentadores Juvêncio Alarcon e Rafael Mesquita que o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos é importante, porque é possível inserir nele as informações e os boletins de ocorrência de desaparecimentos. Também é possível colocar informações de pessoas localizadas, como por exemplo, aqueles cadáveres que estão no Instituto Médico Legal (IML) e não foram reclamados ou identificados; idosos que estão em instituições de longa permanência; pessoas que passaram por algum “abrigamento” ou casa de acolhida.

“É fácil fazer o cruzamento das informações e, assim, localizar pessoas”, afirmou. Ela citou a iniciativa adotada, na pandemia, pelo CNPM, a partir de portaria divulgada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNPJ). Agora é preciso catalogar e colocar também no banco de dados do Sinalid as informações da pessoa hospitalizada sem uma identificação ou família. Se ela vier a falecer, as informações não se perdem e ela pode ser identificada.

Brumadinho

Kérima relatou que o Sinalid contribuiu com o trabalho de identificação das vítimas do acidente de Brumadinho (MG), ao catalogar os desaparecidos, fazer o cruzamento das informações e localizar pessoas. Afirmou ainda que o Sistema mantém articulação com a área da Segurança Pública, já que o serviço de ocorrência e a investigação de desaparecidos é função da Polícia Civil.

O cidadão pode encaminhar informações de desaparecidos para o Sinalid através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., ou pelo telefone (62) 3243-8123. O atendimento telefônico é realizado no horário das 13 às 18 horas.

ABC Digital