Médico explica no TBC 1 o que é, como detectar e encaminhar o tratamento da esclerose múltipla

Doença é de difícil diagnóstico, não tem cura, mas tem um controle satisfatório

O médico neurologista Fernando Elias Borges e a apresentadora Eva Taucci, nos estúdios da TBC

Em 30 de agosto, domingo próximo, é comemorado o Dia Nacional de Conscientização sobre Esclerose Múltipla e, para esclarecer sobre essa doença em nosso Estado, o TBC 1, da TV Brasil Central, entrevistou nesta sexta-feira, 28, o médico neurologista Fernando Elias Borges, coordenador do ambulatório de Neurologia do HGG. Ele explicou que a maior dificuldade é a de fazer o diagnóstico da doença, que tem o pico entre 20 anos e 40 anos de idade e ocorre de forma intermitente, com sintomas de cegueira, perda de força nas pernas ou de um lado do corpo, aparecimento de desequilíbrio ou vertigem, sintomas esses que desaparecem espontaneamente. No Brasil há hoje 35 mil pessoas com essa doença.

Ele falou que essa é uma doença inflamatória e de acometimento precoce, com os sintomas aparecendo entre os 16 e os 25 anos de idade, mas também podendo chegar até os 40 anos de idade. “Depois desse período, até os 50 anos de idade, é raro a gente fazer o diagnóstico da doença. São lesões inflamatórias que acometem o sistema nervoso central, provocando déficits funcionais. O paciente perde função visual, sensitiva e função motora de forma transitória. Em determinado momento, o paciente pode perder a visão e depois recuperá-la espontaneamente”, explanou.

Disse que é importante falar sobre essa intermitência, porque muitos pacientes, por causa dessa melhora espontânea, podem demorar muito a procurar um médico e a fazer um diagnóstico e acrescentou que quando o primeiro neurologista desconfia da presença da doença vai encaminhar o paciente para o centro de referência. “Para receber o diagnóstico adequado, pode demorar de três a quatro anos. Então, são muito importantes essas campanhas de conscientização, para a gente poder encurtar esse tempo e o paciente poder chegar mais rápido nas unidades que vão acompanhar o tratamento”, informou.

Não tem cura

Segundo o médico Fernando Elias, essa é uma doença que não tem cura. E deu mais explicações: “É um processo inflamatório que tem um perfil de hereditariedade fraco, mas que está relacionado ao código genético do paciente. Então, você não tem como curar a doença. Mas é uma doença que tem um controle satisfatório, desde que o diagnóstico possa ser feito precocemente e o paciente inicie o tratamento de forma rápida”.

Em Goiás, há duas unidades com habilitação e capacidade para atendimento a esses pacientes, uma é o HGG e, outra, o Hospital das Clínicas. Nelas, eles têm oportunidade de fazer o diagnóstico e o acompanhamento adequado. O encaminhamento é feito pela rede básica da Prefeitura de Goiânia e por isso mesmo informou que é muito importante a estruturação da rede básica. “Os médicos dessa unidade e dos CAIS é que vão suspeitar o diagnóstico e encaminhar para avaliação especializada no HGG ou no Hospital das Clínicas”, observou.

Veja a entrevista na íntegra:

ABC Digital