Major Vítor Hugo diz que Bolsonaro terá até abril para decidir filiação

Ele concedeu entrevista aos jornalistas Paulo Beringhs e Michelle Bouson no TBC 1, onde explicou questões relacionadas à política e à administração, enfocando especialmente a área da segurança pública

Michelle Bouson, Paulo Beringhs e o deputado federal Major Vitor Hugo, nos estúdios da TBC

Em entrevista hoje no TBC 1, feita pelos jornalistas Paulo Beringhs e Michelle Bouson, o deputado federal Major Vítor Hugo confirmou que até abril do ano que vem o presidente da República, Jair Bolsonaro, decidirá sua filiação partidária, se preparando para os embates políticos que se seguirão e devem culminar com as eleições de 2022. Ele falou também das desavenças políticas ocorridas no partido que elegeu Bolsonaro, em 2018, o PSL, de onde o presidente saiu para criar o partido Aliança pelo Brasil, e também das dificuldades havidas entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o presidente, observando que há uma reaproximação que é muito boa para Goiás e o Brasil.

Sobre o racha no PSL, no ano passado, disse que “o deputado federal Delegado Valdir teve uma postura muito ruim com o presidente da República, falou que ia implodir o presidente e isso nos dividiu aqui. Havia a perspectiva da criação do Aliança pelo Brasil que não se concretizou até o presente momento e muitos candidatos acabaram migrando para outros partidos, até em função da orientação que era por nós e pelo presidente, ficou um cenário político complicado pro próprio PSL, porque muitos dos que ficaram acabaram sendo aliados do Delegado Valdir, que hoje praticamente se põe como oposição ao governo. Outros que não conseguiram espaço em outros partidos acabaram permanecendo. A grande maioria daqueles que apoiam o presidente acabaram migrando para outros partidos”.

Segundo Vítor Hugo, a volta do presidente ao PSL é também uma possibilidade, mas que o Aliança pelo Brasil ainda continua sendo uma via bem provável se se conseguir viabilizar até abril. “É quando o presidente me disse que ele quer já ter definido para qual partido ele vai concorrer. A gente viu que, no âmbito nacional, o PSL coligou com o PT em mais de 100 cidades e isso também dificulta um retorno nosso. Quando me perguntam, digo que estamos fazendo a seleção para poder apoiar nestas eleições aqueles que não vão se coligar com os partidos de esquerda. O presidente fala: ‘Já que a Aliança não foi criada, desde que não sejam no PSL esses que criticaram e que não sejam partidos de esquerda e se forem pessoas idôneas, existe a possibilidade de apoio ou simpatia’”, assinalou.

Confirmou, no entanto, que não se pode falar em consenso no PSL para a volta do presidente, por causa dos oito ou nove deputados que viraram oposição, “alguns, como a Joice (Hasselmann), que podem ir até pro PT”. De acordo com ele, ela foi incoerente, porque foi líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional e no minuto seguinte saiu da liderança e passou a ser oposição inclusive, querendo que o PSL propusesse impeachment ou ações na justiça contrárias ao presidente. “Então, gerou realmente um clima muito estranho”, afirmou.

Culpar é difícil

Para ele, é difícil procurar culpado. “Nas circunstâncias das votações da Câmara, por exemplo, houve momento em que o Delegado Valdir obstruiu Medidas Provisórias do próprio governo. Essa foi uma das atitudes. Aquela fala também que se reuniu e foi gravado onde ele dizia que ia implodir o presidente. Isso criou um abismo. O presidente vai ter uma escolha importante pra fazer, decidiu não se envolver nas eleições municipais, mas até abril do ano que vem ou Aliança vai estar criada ou ele vai pro PSL. Mas acho que hoje em dia, diante dessas coligações com o PT, pode ir também para outro partido que ofereça ao presidente as condições, assim como PSL ofereceu no passado, pois era o partido com um deputado federal e passou para uma bancada com 53 deputados, agora com acesso a fundo partidário e fundo eleitoral”, assinalou.

Disse ainda que o sustentáculo do presidente é o apoio que ele tem da população, podendo ser visto nas viagens dele “que ele tem uma energia, é praticamente um ímã pelo carinho que tem das pessoas, também nas redes sociais, a confiança que as pessoas têm nele. Esse é o sustentáculo dele”. Explicou, sem querer generalizar, que existe uma parte da imprensa que ataca o presidente todos os dias: “Se ele decide algo, batem porque ele decidiu. Se não decidiu, batem porque ele está omisso. Mas ele vem sobrevivendo bem. O Auxílio Emergencial de R$ 600,00 foi algo importantíssimo, não para a popularidade dele, mas para impedir o caos social”.

Governo de direita

O deputado Major Vítor Hugo confirmou também que o governo Bolsonaro é de direita e liberal na economia, mas não é um governo irresponsável com relação às pessoas mais carentes, “tanto que nós aprovamos o auxílio emergencial que custa aos cofres públicos R$ 50 bilhões por mês. Isso para um governo austero, mesmo aprovando a reforma da previdência, ano passado junto com a Medida Provisória que previne as fraudes no INSS, vai nos render uma economia de mais de R$ 1 trilhão e 200 bilhões em dez anos. Mas apertando o cinto de todos nós, que vamos ter de trabalhar mais e contribuir mais para termos uma aposentadoria sustentável. Mas esse governo, que prega por uma reforma tributária e reforma administrativa, foi capaz, no momento mais crítico, de aprovar um auxílio emergencial importantíssimo. Com o Renda Cidadã a intenção é de que haja uma transição, um caminho para retirar essas pessoas do colchão social dos programas sociais, para chegar até o nível da CLT, onde os trabalhadores terão uma gama de direitos que garanta uma vida mais sustentável e mais digna. Quando aprovamos esse auxílio, imaginávamos atingir 23 milhões de brasileiros e chegamos a 65 milhões. Quando a pandemia acabar, as exceções que aprovamos, inclusive em nível constitucional que permitem esses gastos acima do teto, vão cessar. Por isso que está essa discussão de onde vai sair o dinheiro ou o espaço fiscal para financiar o Renda Cidadã”.

Sobre a relação Bolsonaro e Caiado, explanou que no primeiro momento ficou muito preocupado, “quando houve uma ruptura muito clara por parte do governador”. E isso se deu pela admiração “que eu sei que o presidente tem pelo Caiado e a que eu e minha família temos”. No entanto, afirmou que tem visto por parte do governador movimentos políticos de aproximação. “Por parte do presidente, nunca houve na verdade uma ruptura. Como eles têm valores muito próximos, pro bem de ambos a gente torce para que esse caminho se aproxime cada vez mais”, sinalizou.

Aproximação Caiado/Bolsonaro

Ele disse também que vê Caiado indo ao Palácio do Planalto e frequentando normalmente e que ficou uma marca, tendo muita gente, os bolsonaristas, que ainda está meio magoada. “Naquele momento, confesso que fiquei muito chateado e numa sinuca de bico, porque parecia que haveria uma ruptura drástica e eu teria que escolher um lado e, certamente, ficaria do lado do presidente, porque é a inspiração maior que eu tenho. Mas fiquei muito feliz de ver que o governador está buscando um caminho de volta. Acho que as pessoas vão passar a entender que para o bem do Estado é bom ter como aliado o presidente da República.

Falou também que entende que o governador Caiado assumiu o Estado com uma situação fiscal muito ruim e o presidente Bolsonaro apoiou muito Goiás no ano passado, “com bilhões de reais em várias áreas”. Mas, na opinião dele, as dificuldades passaram “e acho que a gente tem que focar no momento atual, onde vejo todos os gestos do governador de se aproximar do presidente. Mesmo naquele momento, o presidente dizia que era apaixonado pelo Caiado. As pessoas que são de direita, que são família, que valorizam o agronegócio, que eu vejo que é o perfil dos dois, temos que procurar caminhar juntos, pro bem do país e pro bem de Goiás.

Contou que esteve com o presidente em Caldas Novas e o governador estava também, na inauguração de uma usina de energia solar. Na solenidade, um presidente de sindicato rural questionou esse relacionamento e o presidente Bolsonaro respondeu de forma categórica: “Só briga quem ama”. Segundo Major Vítor Hugo, Bolsonaro está leve com essa situação. “Pro bem de quem está sendo representado é importante que haja a harmonia entre os governantes”, assinalou.

Secretaria Nacional de Segurança Pública

Semana que vem, terça, quarta e quinta-feiras (dias 6, 7 e 8), a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, estará realizando, em Goiânia, o Senasp Itinerante, que visa orientar e integrar os responsáveis pela segurança pública no Brasil. Essa iniciativa será feita nas cinco regiões brasileiras, juntando em cada região os representantes da segurança pública dos estados integrantes dela.

“O secretário Nacional da Segurança Pública, Coronel Paim, decidiu fazer esse evento nas cinco regiões do país. Conseguimos que a primeira região seja o Cento-Oeste e que seja aqui em Goiânia. Estou tentando articular para trazer as Guardas Municipais para dentro desse evento que busca uma integração entre as forças de segurança. Os estados vão mandar seus representantes para cá, com os nossos, para interagir. A Senasp vai mostrar quais são os produtos que eles já têm, as políticas que eles podem disponibilizar, de que forma acessar os recursos, viaturas, armamento. Vai orientar os gestores a acessar essas políticas e, ao mesmo tempo, vão receber feedback daquilo que já vem sendo feito para poder, com essa visão nacional que eles vão adquirir, planejar outras políticas públicas”, discorreu.

À pergunta sobre a segurança pública no Brasil foi categórico em dizer que “é algo muito complexo, pois temos uma fronteira com dez países, quase 17 mil quilômetros de fronteiras, na maioria fronteira seca”. Por isso, observou, essa permeabilidade é um problema, para a entrada de drogas, de armas, mas também crimes transnacionais, ambientais, extração ilegal de madeira e garimpo ilegal. “Fora isso, todo o quadro caótico de segurança pública, com mais de 50 mil mortes violentas por ano, mais de 50 mil estupros por ano, mais de um milhão de carros roubados ou furtados. É um desafio muito grande, mas que o nosso governo Bolsonaro tem toda disposição de enfrentar. A gente espera que esse programa Senasp Itinerante seja mais uma iniciativa, começando por Goiânia, para que a gente possa ajudar o nosso país a superar essa crise”, finalizou.

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