Mãe com Covid-19 deve amamentar o bebê tomando os devidos cuidados, orienta pediatra

Em entrevista à RBC, médica disse que não existe, até o momento, evidência de transmissão intrauterina da doença ou pelo aleitamento materno

Até o dia de hoje, não existe nenhuma evidência de transmissão intrauterina da Covid-19 ou pelo aleitamento materno. O que existe é a contaminação no pós-parto, se a mãe não estiver contaminada, por gotículas de espirro e saliva. Então, mesmo com a doença, a mãe deve amamentar o bebê, tomando os devidos cuidados, como o uso de máscara, a higienização das mãos com álcool em gel e o uso de luvas quando for trocar ou banhar o filho.

A orientação é da coordenadora do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Goiana de Pediatria, Simone Ramos. Ela concedeu entrevista nesta quinta-feira, 6, ao programa O Mundo em sua Casa das rádios Brasil Central AM e RBC FM para falar sobre a importância do Agosto Dourado, mês que simboliza a luta pelo incentivo à amamentação materna. A cor dourada está relacionada ao padrão ouro da qualidade do leite materno.

Ainda a respeito da mãe com Covid-19, a pediatra disse aos apresentadores Luzeni Gomes e Roberto Cândido, que na amamentação ela pode recorrer à ajuda de alguém para cuidar do bebê, isso para evitar a transmissão da doença no período de contágio. Mas salientou que a transmissão da doença, dela para a criança, não acontece por meio do leite materno.

Insegurança

Simone afirmou que esse período de pandemia tem sido de muita insegurança para as mães. Elas têm de dar à luz em maternidades com poucas visitas, têm pouco contato com os familiares no pós-parto, permancecem muito tempo dentro de casa, ficam inseguras em buscar o acesso ao médico. E, muitas vezes, adiam a primeira consulta médica por medo da transmissão do novo coronavírus para o bebê e para ela mesma. Lembrou que as mulheres no puerpério (período do pós-parto) fazem parte do grupo de risco da doença.

Importância

A pediatra reforçou a importância do aleitamento materno, tanto para a mãe quanto para o bebê. O leite materno previne doenças diarreicas e infecciosas, além de melhorar o Quociente de Inteligência (QI) da criança. Para a mulher, o ato de amamentar traz como benefícios melhorar o sangramento e a anemia, e diminuir a incidência de câncer de mama e dos ovários.

De acordo com a médica, o Banco de Leite de Goiás é extremamente eficaz em sua atuação. Entretanto, neste período da pandemia foi registrada queda na doação de leite humano. E reiterou o pedido: quem pode, deve continuar fazendo a extração do leite, o armazenamento e a doação.

ABC Digital