Literariamente – Livreiros goianienses dão dicas de livros para esses dias de recolhimento

Com a crise do modelo de megalivrarias no Brasil, o mercado tem se remodelado nas pequenas e aconchegantes livrarias de bairro, onde o apaixonado por literatura geralmente é atendido por outro, que é o próprio dono do lugar

A cadeia literária tem vários elos que são necessários para que o livro chegue nas mãos do leitor. A começar pelo autor, temos ainda o editor, capista, revisor, copy desk, ilustrador... Uma lista grande de pessoas para produzirem o produto final que só termina com a venda do produto. E este é o trabalho do livreiro, aquele que se empenha em descobrir títulos interessantes, apresentar ao público escritores dos quais gosta, divulgar boa literatura.

Com a crise do modelo de megalivrarias no Brasil, o mercado tem se remodelado nas pequenas e aconchegantes livrarias de bairro, onde o apaixonado por literatura geralmente é atendido por outro, que é o próprio dono do lugar. Mas não pensem que é uma tarefa fácil: além da desleal concorrência que o segmento sofre da internet – em outra oportunidade exploraremos o assunto adequadamente – com o isolamento social elas ficam impedidas de receber seu público e uma vez que parte de sua receita vem do atendimento personalizado, comes e bebes servidos nesses lugares, a situação fica complicada. 

Pensando nisso, o Literariamente de hoje resolveu convidar os livreiros da capital para darem algumas dicas de leitura nesse final de clausura. Começamos a série por Wilson Rocha – que junto com sua esposa Helloá Fernandes são os responsáveis por trás da Palavrear Livraria.

Para os Adultos, a dica é “Marrom e amarelo”, do porto-alegrense Paulo Scott, é o livro do mês do Clube Palavrear de Literatura Contemporânea. A obra traz reflexões importantes sobre temas como racismo, anti-racismo e ativismo social, expondo de forma realista os meandros da burocracia e a dificuldade do Estado em dar resposta adequada aos nossos grandes dilemas históricos. Os problemas sociais que atravessam a vida dos irmãos Lourenço e Federico encontram em cada um deles respostas diferentes, o que será objeto de um balanço às vezes doloroso. O livro tem personagens bem construídos e uma trama capaz de envolver e surpreender o leitor. Leitura atual, imperdível.

Já os adolescentes podem se deliciar com o clássico “A ilha do tesouro”, do escocês Robert Louis Stevenson. Publicado em 1883, a obra popularizou o universo imaginário dos piratas, inspirando inúmeras adaptações no teatro, no cinema, nos desenhos animados e na própria literatura. Na recente edição que a Antofágica preparou da obra, as aventuras do jovem Jim Hawkins ganham tradução inédita e ilustrações primorosas de Paula Puiupo. O livro é um tesouro para a imaginação de adolescentes, crianças e adultos. Uma leitura inesquecível.

Para as crianças, uma história em belíssimos desenhos dos canadenses JonArno Lawson e Sydney Smith. “De flor em flor” é um livro sem palavras, que conta a história de uma menina que caminha pela cidade colhendo flores que se transformam em presentes que enfeitam e dão cor ao mundo. Uma história que ensina as crianças a olhar o mundo e enxergar nele o que há de belo. Um caminho para nos tornarmos seres humanos mais generosos, capazes de compartilhar afeto e encher de beleza o mundo que nos cerca.

Live de historinha

Outra dica imperdível para as crianças vem da escritora Daniela de Brito, que hoje às 19:00h fará uma live contando mais uma historinha de sua autoria: a do Ratofredo. Quem quiser acompanhar é só visitar o Instagram dela: @dani_de_brito

Então, fiquem em casa, aproveitem nossa programação e se cuidem!

Texto: Cristiano Deveras/ABC Digital