Governador ressalta estudo da UFG que mostra que o isolamento que ele decretou evitou mais de 2.800 mortes em Goiás

Ao participar da live, secretária da Economia Cristiane Schmidt falou do esforço para pagar a folha em dia e para aperfeiçoar o orçamento, priorizando a desburocratização e a transparência

A secretária da Economia, Cristiane Schmidt, o governador Ronaldo Caiado e o âncora Daniel de Paula, em live realizada pela ABC

Em live dos veículos de comunicação da Agência Brasil Central (ABC), realizada direto do Palácio das Esmeraldas, o governador Ronaldo Caiado ressaltou o resultado do estudo feito pela Universidade Federal de Goiás, mostrando que o isolamento que ele decretou, em meado de março deste ano, foi responsável por evitar mais de 2.800 mortes por infecção pela Covid-19 no Estado. Caiado disse que apanhou muito, principalmente “de pessoas que têm o coração no bolso”, mas que hoje tem a plena consciência de que foi a melhor decisão tomada naquele momento. 

“Se eu não tivesse tomado aquela decisão de decretar o isolamento, hoje ao invés de 173 mortos teríamos mais de 2800, segundo dados da UFG”, observou, acrescentando que vai continuar trabalhando para não deixar o cidadão goiano morrer em função da pandemia do novo coronavírus. A live, apresentada pelo âncora Daniel de Paula, teve também a participação da secretária da Economia, Cristiane Schmidt, que falou sobre o trabalho da Pasta nesse período e como está fazendo para superar as dificuldades enfrentadas com a queda da arrecadação.

O governador focou sua fala hoje no trabalho para atender a área da saúde na região do Entorno do Distrito Federal, onde há uma grande proliferação de casos, em decorrência da proximidade com Brasília, aonde muitos goianos trabalham. Prestou contas de que na sexta-feira passada entregou, juntamente com o presidente da República, Jair Bolsonaro, o Hospital de Campanha de Águas Lindas, que começou a funcionar imediatamente, com 200 leitos. Falou ainda do trabalho que realiza na área de saúde em todo o Estado, interiorizando o atendimento, equipamento hospitais, inclusive com leitos de UTI, que não eram construídos nas gestões anteriores, e que tudo isso vai ficar para a população poder amanhã ter a continuidade para atendimento sofisticado, e não mais se deslocar até Goiânia, como é costume. Mostrou os números de hoje em Goiás, com 350 novos casos da Covid-19, mas que, “felizmente”, sem morte, e que é assim que ele quer e trabalha para que continue.

Cristiane Schmidt

A secretária da Economia disse que 2019 foi um ano de muitos feitos, e citou a folha de pagamento em dia, e o começo de um enxugamento e aperfeiçoamento no orçamento, “que pode ser invisível, mas é contundente para minimizar pagamentos incorretos dentro do orçamento”, sinalizou. Ressaltou a obediência a uma cronologia nos pagamentos, conforme recomendação do TCE, “para não dar vazão ao pagamento aos amigos do rei”. Disse que o contribuinte hoje pode verificar a arrecadação diária, com menos burocracia e mais transparência. “Quero dizer como aconteceu, antes de alguém perguntar”, observou. 

“Hoje, infelizmente, a gente ainda está numa situação em que as nossas receitas estão aquém das nossas despesas. Precisamos arrumar as finanças na parte estrutural. Estamos fazendo e fizemos um belíssimo trabalho de aumento de arrecadação no ano passado. Aprovamos diversas matérias importantes na Assembleia, que é grande aliada do contribuinte goiano. Tentar fazer com que o goiano tenha orgulho do trabalho que fazemos na Secretaria da Economia, que é muito difícil”, afirmou Cristiane, acrescentando que no início foi criticada, mas que hoje já tem a compreensão dos servidores do trabalho que está sendo feito. 

Protege

Afirmou ainda que está fazendo este ano um importante trabalho no fundo Protege, para dar transparência à sociedade das receitas e despesas que ocorrem e na mesma direção da desburocratização vai o programa Pró Goiás. “O Estado precisa ser desburocratizado, atender ao público, e ter transparência ativa, porque é do dinheiro do contribuinte que a gente está falando. Temos de otimizar esse dinheiro, pensando que ele não é nosso, é para fazer política pública”, sentenciou.

Falou ainda das dificuldades que chegaram com a pandemia do novo coronavírus, onde o governo do Estado postergou pagamento do IPVA, do ICMS do Simples, na energia elétrica isentou o baixo consumo, assim como fez também a Saneago. “A crise que a gente diz econômica não foi originada de um fenômeno econômico, mas de saúde pública. Houve retração muito grande na oferta e na demanda. Goiás tem o agro muito forte, mas é grande parte para exportação. Mas não gera arrecadação para nós” assinalou, analisando que muito do que Goiás produz é para exportação e ela e o governador lembraram das dificuldades de receber os recursos oriundos da Lei Kandir, que deveria ressarcir o Estado pela exportação de grãos. 

“De janeiro a março, fizemos um acúmulo de Receita Total de R$ 443 milhões, que dá 8% acima do mesmo valor, de janeiro a março, de 2019. Em termos de Receita tributária estávamos crescendo 350 milhões, aumento de 7,5%. Março e abril, veio a pandemia. Abril e maio esse número caiu para 750 milhões. Abril e maio, 18% de queda. Quando você pega de janeiro a maio, houve uma perda de R$ 306 milhões da receita corrente líquida acumulada. Isso é muito ruim. Se a nossa receita de 2020 em vez de crescer ela decresce em relação a 2019, é um problema enorme” sintetizou Cristiane, observando que a reforma da previdência feita pelo governo de Goiás proporcionou a entrada de R$ 25 milhões e que por isso o déficit vai crescer menos.

“A reforma da previdência pode parecer algo duro. Se ela não fosse feita, muito provavelmente a gente teria o não pagamento de funcionários, o não pagamento de aposentados. E não estou falando só de agora, mas de um futuro de longo e médio prazos. Principalmente nessa conjuntura que tivermos uma queda de arrecadação muito pronunciada”, disse, sinalizando que a ajuda do governo federal será boa, mas só por um período de quatro meses. “Pedimos que houvesse uma equiparação ao valor perdido em 2019. 90% da receita do governo de Goiás é para pagar folha. Minha despesa continua crescendo com folha, mas a arrecadação está caindo”, ponderou a secretária da Economia.

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