Espalhando cultura, notícias e conhecimento: Brasil Central em todas as partes

Em quase meio século, o compromisso com o conhecimento e a cultura guiou equipes técnicas e artísticas para novas jornadas, aumentando os meios de contato entre os goianos e o mundo

O Século XX pode ser considerado como o século da comunicação. O surgimento e a popularização do cinema, do rádio e da televisão transformaram radicalmente o cotidiano das pessoas. Talvez quem usufrua hoje de todas essas transformações já consolidadas (e que possibilitaram elementos que hoje são cotidianos de muitos, como o stream de áudio e de vídeo e a onipresença das telas) não consiga perceber toda a saga que atravessamos para que essas transformações chegassem ao cotidiano.

Novidade técnica bem conhecida ganha a rua

A Rádio Brasil Central AM já era uma emissora de rádio bem consolidada nos anos 1970, tendo audiência dentro e fora do estado de Goiás e sendo referência, especialmente no esporte e no jornalismo. Mas os tempos haviam mudado e havia o desejo por mais música no cotidiano. E músicas diferentes das que estavam presentes nos alto-falantes dos radinhos e radiões espalhados pela cidade.

A tecnologia já era conhecida pelas equipes da rádio, mesmo não sendo utilizada comercialmente no Brasil: a frequência modulada, hoje conhecida pela abreviatura FM, era presente nas transmissões oficiais e esportivas da Brasil Central, ligando o Palácio das Esmeraldas e o estádio Serra Dourada com os estúdios da rádio. Esse canal “exclusivo” se dava pois até os anos 1970 não havia regulação nem produção de rádios capazes de captar essa frequência no Brasil.

Com mudanças legais e políticas, surgem pelo país as “rádios musicais” que passaram a ser associadas com a FM, que possui como vantagem sobre a AM um som mais claro e potente, apesar de um alcance sensivelmente mais limitado. A partir de 1973, a qualidade técnica e o conhecimento musical daqueles que estavam envolvidos com a Brasil Central ganhou também as novas ondas, surgindo aí a RBC FM.

Surge uma nova estrela

Já o canal 13 foi uma conquista especial. A TV Brasil Central chegou quando existiam duas emissoras de TV em Goiânia, mas ela trouxe ao cenário goiano uma grande novidade: a grade de programação.

Inicialmente, as emissoras compravam a programação livremente, não estando vinculada a nenhuma “rede” (na verdade, o conceito de rede nem era bem desenvolvido na época). Depois, as principais emissoras e distribuidoras de filmes passaram a fazer “pacotes”, nos quais as TV locais podiam comprar conjuntos de programas, filmes, séries e eventos esportivos que eram entregues em rolos de filme.

A TBC surge nesse cenário, mas se vincula a uma emissora paulista (a TV Bandeirantes) que em 1978 passa a oferecer a possibilidade de transmitir a programação diretamente vinda de São Paulo, sem precisar esperar pela “entrega dos filmes”. E assim, traz para o planalto central toda a produção de esportes e noticiosos produzidos pela “cabeça da rede” na capital paulista, além de intercalar com a produção noticiosa e esportiva local.

Mostrando momentos preciosos para todos

Assim, a RBC FM e a TV Brasil Central abriram novos espaços para a difusão e o registro de traços da cultura e do cotidiano goiano. E por ter equipes técnicas gabaritadas, puderam também produzir programas que foram difundidos nacionalmente. Documentários sobre artistas como Siron Franco ou sobre os índios do Xingu foram marcos na história não só da TBC, mas também da própria TV brasileira, já que eram produções locais que ganhavam projeção nacional e internacional, indo ao ar em horário nobre e ganhando prêmios.

Equipes da TBC acompanharam momentos importantes na história política do país, cobrindo o primeiro comício das Diretas Já na praça Universitária, ainda em 1983 e sendo a primeira a acompanhar a internação de Tancredo Neves no hospital de Base de Brasília. No esporte, acompanhou não só o futebol – até mesmo mandando equipes para a Copa do Mundo de Futebol de 1990 – mas também basquete, motociclismo, automobilismo e natação e outros esportes, gerando imagens que a TV Bandeirantes retransmitia para as outras emissoras da rede.

Tempos de mudança e reforço da missão

Os anos 1990 foram de mudanças na Brasil Central. Nos últimos anos da década a TV deixou de transmitir o sinal da Bandeirantes e passou a trabalhar com outra emissora paulista: a TV Cultura. Essa parceria reforçou ainda mais o papel do jornalismo da TBC no contexto regional.

Com a chegada do Século XXI, ganhou força a convergência das mídias e a digitalização das imagens da TV, que possibilitou a melhoria da transmissão, além do início de um trabalho singular, no qual rádio e televisão produzem e apresentam materiais em conjunto, reforçando o papel da Brasil Central como difusora da cultura, do entretenimento e do conhecimento, papel pelo qual ficamos conhecidos nesses 48 anos da RBC FM e 46 da TBC.

Givaldo Corcinio – historiador – ABC Digital

Utilizamos cookies essenciais e tecnológicos semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.