Dia Mundial do Câncer: pandemia provocou a sequela do diagnóstico tardio

Especialista disse à RBC que os diagnósticos oncológicos foram retardados por medo da Covid-19, o que causou um ponto negativo: em muitos pacientes a doença chegou a um estágio mais avançado

Estamos em meio a uma pandemia que matou milhares de pessoas pelo mundo. Mas não se pode baixar a guarda para outras doenças, que podem ser tão agressivas quanto a Covid-19. Esse é o caso do câncer. Nesta quinta-feira, 04/02, é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Câncer. E os especialistas alertam para é para a importância do diagnóstico precoce.

De acordo com levantamento do Hospital de Câncer Araújo Jorge, no ano passado, o impacto da pandemia no tratamento oncológico foi expressivo. Houve queda de 30% no fluxo de pacientes nessa unidade de saúde especializada no tratamento do câncer.

O cirurgião oncológico do Hospital Araújo Jorge, Jales Benevides, que também é vice-presidente da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), concedeu entrevista ao programa O Mundo em sua Casa, das rádios Brasil Central AM e RBC FM. Ele falou sobre o impacto da pandemia para os pacientes da doença.

Diagnósticos retardados

Segundo o médico, nos primeiros meses da pandemia médicos e enfermeiros, assim como o poder público, ficaram perdidos sobre o que fazer naquele momento com os pacientes oncológicos. Houve um lockdown muito grande, as prefeituras deixaram de realizar exames nos pacientes e de encaminhá-los à capital para a capital para tratamento. “Isso fez com que os nossos diagnósticos ao longo dos meses da pandemia fossem retardados ”, comentou.

Ele argumentou que o resultado dessa situação foi um ponto negativo: a doença chegou em um estágio mais avançado, às vezes em casos de urgência e emergência. “Enquanto nossos atendimentos ambulatoriais diminuíram, as nossas urgências e emergências oncológicas aumentaram. Isso aí traz um cenário muito ruim”, lamentou. Conforme o médico, a doença chega num estágio muito avançado. e às vezes sem condições de se oferecer um tratamento oncológico com finalidade curativa.

Jales Benevides lembrou que, só nos últimos meses para cá o atendimento ambulatorial no setor público e privado foi liberado. “Mas a sequela do diagnóstico tardio ficou”, ponderou. Isso porque muitas pessoas deixaram de fazer exames preventivos ao longo do tempo. Para o médico, a sequela ficou e o que está sendo feito agora é administrar essa situação.

ABC Digital

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