Consórcio RedeMob deixa gestão dos terminais e oferta de ônibus em Goiânia está em 70%

Gestão dos terminais vai para as próprias empresas de ônibus e por isso o Consórcio RedeMob demitiu 130 funcionários

O diretor Executivo do Consórcio RedeMob, Leomar Rodrigues, e a apresentadora Michelle Bouson, nos estúdios da TBC

O Consórcio RedeMob, que gere desde 2008 a Rede Metropolitana de Transportes Coletivos de Goiânia e da região metropolitana, deixará de gerenciar e manter, a partir do dia 1º de julho próximo, os terminais, as estações e os pontos de apoio do transporte coletivo. Este serviço será repassado às próprias empresas integrantes do consórcio: Cootego, HP Transportes, Rápido Araguaia, Viação Reunidas e Metrobus. As informações foram repassadas nesta quinta-feira, 25, por Leomar Rodrigues, diretor Executivo do Consórcio RedeMob, em entrevista a Michelle Bouson, no telejornal TBC 1, complementando que o consórcio não sairá de operação totalmente, pois ele tem outros processos onde faz a gestão, como é o caso da informação ao cliente. Disse que, por causa dessa mudança, 130 funcionários do Consórcio RedeMob foram demitidos e que o sistema funciona hoje com toda a capacidade disponível, ou seja, ofertando quase 70% do serviço para uma demanda de 30%.

Segundo Leomar, no Brasil, de um modo geral, quem faz a gestão de terminais, estações de transporte público coletivo é o poder público, normalmente os municípios. Em alguns locais no país, também há parceria do Governo do Estado. “Na nossa região, desde a licitação, em 2008, que a obrigação por gerir todos os terminais da região metropolitana é de um consórcio formado pelas concessionárias Rápido Araguaia, HP, Reunidas, Cootego e da Metrobus. Infelizmente, depois de 11 anos, há toda a problemática da pandemia do coronavírus, impactando o transporte público coletivo, reduzindo drasticamente a receita, hoje na ordem de 70%, e o Consórcio que vinha fazendo essa gestão não tem condições mais”, afirmou. 

Gestão

Observou que com 30% da receita não dava para o Consórcio continuar fazendo a gestão dos terminais. “Então, as empresas, através do Conselho de Administração da RedeMob, decidiram por elas mesmas assumir essa gestão, a partir do dia 1º de julho, enquanto discutem, com o Estado de Goiás e com os municípios, especialmente Goiânia e os demais 17 municípios da região metropolitana, no sentido de, num futuro breve, tendo um consenso, devolver a gestão desses terminais para o ente público”, assinalou.

Informou que a Metrobus estará assumindo a gestão dos terminais do Eixo Anhanguera (sete terminais e 19 estações) e as outras empresas assumirão os demais 14 terminais e 13 pontos de apoios operacionais. Disse ainda que haverá um período de transição em que o Consórcio dará todo o apoio em relação aos processos e à gestão. A ideia principal, observou, é que isso não traga impacto negativo na vida dos usuários na utilização dos serviços.

Confirmou que o consórcio não sairá totalmente e lembrou que ele implantou o primeiro controle operacional do país, baseado em tecnologias avançadas e isso está funcionando plenamente, controlando cada viagem que acontece na operação, horário, ponto a ponto. “O Consórcio faz a gestão do sistema de bilhetagem (Sitpass). Trabalhamos, desde o começo do ano, num projeto para trocar o sistema de bilhetagem e acreditamos que ela será concluída até o final do ano. Ele trabalha também junto ao CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos), nas discussões e no planejamento do serviço. Quando você utiliza o aplicativo SiMRmtc ou outros é o Consórcio que faz”, esclareceu.

Ônibus lotados

Sobre a questão de os ônibus em Goiânia andarem lotados, especialmente nessa época de pandemia, explicou que o sistema é complexo e envolve vários agentes. “Nem as empresas e nem nós que trabalhamos no serviço queremos a lotação nos ônibus e terminais, mas, infelizmente, há uma concentração no horário de pico. Isso é no mundo todo. Aqui também está acontecendo isso. Infelizmente, o escalonamento de horários não trouxe os resultados que a gente gostaria que trouxesse. No transporte coletivo precisamos pensar de fato nas pessoas que precisam pegar ônibus. É um serviço complexo que precisa de ter uma ajuda do Governo do Estado, dos municípios e todos somarem esforços para poder melhorar a qualidade do serviço, principalmente no momento atual de pandemia”, ponderou. 

Leomar Rodrigues explicou também que as empresas estão trabalhando com tudo que elas conseguem nesse momento, e que a CMTC, que fiscaliza, tem ciência disso. “Existem funcionários afastados por causa da contaminação. No campo operacional, trabalham com todo esforço e recursos que poderiam. A gente tem uma demanda de 30% do que deveria ter e estamos trabalhando com quase 70% da oferta. Ou seja, estamos trabalhando com o dobro do que aquilo que na prática existe. Os problemas têm acontecido principalmente nos terminais, que são locais de concentração de pessoas. Às vezes acontece de chegar muitos ônibus num momento só. Talvez uma das saídas que deveriam ser estudadas melhor fosse fechar os terminais. Mas isso também tem sua complexidade, exige um aprofundamento maior nessa discussão”, sentenciou.

Inquirido sobre as reclamações de que o aplicativo SiMRmtc não estaria funcionando, ele confirmou que não procede essa reclamação. Informou que às vezes acontecer de ter veículos extras na operação e que eles entram de última hora, ocorrendo de naquele momento ele não estar plugado no aplicativo e, portanto, não aparece. 

A entrevista está disponível na íntegra:

ABC Digital