Baixa cobertura de vacinação contra a poliomielite é preocupante

Enfermeira da Secretaria da Saúde foi entrevistada no programa TBC+ e alertou sobre o risco da reintrodução da doença no Brasil

O Dia Nacional da Vacinação é comemorado em 17 de outubro. Para falar sobre a importância das vacinas na prevenção de diversas doenças, a convidada do programa TBC+ desta segunda-feira, 17, foi a enfermeira da Gerência de Imunização da Superintendência de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Liz Jane Ribeiro Silvestre. Segundo ela, a campanha de vacinação contra a poliomielite deste ano, denominada Campanha Xô Dodói, foi prorrogada até o dia 8 de outubro último e durou 60 dias. Ainda assim, não conseguiu atingir a meta de imunizar 95% das crianças, pois o resultado ficou abaixo de 60%.

“Então a gente tem mais de 30% de crianças que não receberam a vacina”, lamentou Liz Jane. Ela atribuiu a baixa procura pela vacina ao desconhecimento que as pessoas têm a respeito da poliomielite. “A geração de hoje desconhece o que foi a doença; quando eu não conheço o perigo, não tenho medo”, ponderou. Disse ainda que há tempos a sociedade científica e as instituições de saúde vem se preocupando com a baixa cobertura vacinal das crianças brasileiras.

Crianças desprotegidas

Ela lembrou que o sucesso das campanhas de imunização contra a pólio realizadas nas décadas de 1960 e 1970 contribuíram para esse desconhecimento das gerações atuais, já que o último caso registrado no País foi registrado em 1989. Liz Jane argumentou que, infelizmente, o Brasil entrou agora como um país de muito alto risco de reintrodução da poliomielite. Existem casos hoje em países da África e da Ásia, que ainda são endêmicos para a doença. “E quando eu tenho baixas coberturas (vacinais), eu tenho crianças desprotegidas; e se o vírus vier, ele vai acometer as crianças”, afirmou, se referindo não só à pólio, mas ao sarampo, à difteria, à coqueluche e ao tétano, todas doenças que são preveníveis com a vacina. Falou que a meningite também é motivo de preocupação.

“Uma simples vacina estaria protegendo as crianças e também os adultos, porque a gente tem um calendário (nacional) que abrange desde o recém-nascido até o idoso. São várias vacinas, de fácil acesso e gratuitas, não tem razão para não se vacinar”, declarou. A enfermeira comentou também sobre como as fake news relativas às vacinas estão atrapalhando e confundindo as pessoas.

ABC Digital

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