Uso de perfil falso não anula crime de racismo, afirma advogado

Uziel Matias explicou o que diz a lei sobre o ato e disse que possibilidade de perfil falso investigado pela polícia não anula o crime

A Polícia Civil de Goiás começou nesta terça-feira (27) as investigações sobre o caso de racismo sofrido pelo entregador Elson Oliveira Santos, de 39 anos, na noite do último domingo (25) em Goiânia. Ele atendia a um pedido de sanduíche no condomínio de luxo Aldeia do Vale, quando foi surpreendido com a suspensão da entrega pela gerente da hamburgueria.

A gerente informou a Elson que a pessoa, aparentemente uma mulher, teria solicitado que a entrega fosse feita por um entregador branco e não por ele, que é negro. A gerente Ana Carolina Gomes e o dono da hamburgueria Éder Leandro Rocha entregaram à policia as mensagens trocadas por celular com a cliente, que anotou os dizeres: “Esse preto não vai entrar no meu condomínio. Mandar outro motoboy que seja branco. Eu não vou permitir esse macaco”.

Informada do nome da pessoa investigada pela polícia, a administração do condomínio alega que a cliente não mora no local e não há registros de que tenha sido uma visitante no dia do caso. Para comentar o assunto, o telejornal TBC1 recebeu no estúdio nesta quarta-feira (28) o advogado Uziel Matias Barbosa, que defende o entregador Elson Santos.

Na primeira parte da entrevista, na coluna Bate-papo do Dia com a apresentadora Eva Taucci, Uziel Matias explicou o que significa o crime de racismo na lei brasileira e quais são as penalidades previstas.  

Confira a primeira parte da entrevista:

Perfil falso

Na segunda parte da entrevista, o advogado Uziel Matias Barbosa, que representa o entregador Elson Oliveira Santos no caso de racismo em Goiânia, disse que o fato de a polícia investigar a possibilidade de o perfil no aplicativo de entrega ser falso não descaracteriza o crime. “Continua existindo o crime e a questão é identificar o agressor que utilizou esse perfil falso para praticar o racismo”, disse.

Ele discorreu também sobre o contexto histórico que explica a continuidade de comportamentos racistas na sociedade brasileira e disse que a exposição de casos de racismo ajuda a mudar a situação, bem como a conscientização da sociedade e a coragem das vítimas de formalizar denúncias e buscar reparo legal.

Confira a segunda parte da entrevista:

 

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