Advogado comenta o arquivamento da investigação contra o padre Robson

Danilo Vasconcelos, que representa outras pessoas supostamente envolvidas na Operação Vendilhões, explicou em entrevista ao TBC 2 o motivo da decisão do Tribunal de Justiça de Goiás

O apresentador Guilherme Rigonato e o advogado Danilo Vasconcelos, nos estúdios da TBC

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) arquivou, nesta terça-feira, 6, a investigação do Ministério Público Estadual contra o padre Robson de Oliveira, no âmbito da Vendilhões. Por meio dessa operação, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-GO apurava supostas irregularidades cometidas pelos diretores da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe).

A decisão de arquivar a investigação é do desembargador Nicomedes Domingos Borges, e foi acompanhada de forma unânime pela 1ª Câmara Criminal. O advogado Danilo Vasconcelos, que não representa o padre Robson, mas outras pessoas supostamente envolvidas no caso, esteve no estúdio do TBC 2, nesta terça-feira, 3. Na ocasião, ele concedeu entrevista a Danuza Azevedo e Guilherme Rigonato. Ele explicou a decisão do Tribunal de Justiça.

Crime

Segundo o advogado, que também é professor universitário, o TJ-GO julgou o pedido de habeas corpus, um pleito da defesa, e concedeu a ordem. “Ele entendeu que todas as investigações contra o padre Robson e as Afipes devem ser arquivadas, e arquivadas estão”, declarou. A decisão, afirmou, se deu “pelo simples fato de não ter havido crime. A Justiça entendeu que o padre Robson não fez nada de errado no aspecto penal, no aspecto criminal”, afirmou.

Danilo ponderou que muito se discute sobre as questões morais, mas que “é preciso entender que o Direito Penal não trata de questões morais”, e o Tribunal de Justiça entendeu que o padre não cometeu crime. Ressaltou que ele é um empreendedor e fez a Afipe ganhar mais de R$ 300 milhões em lucro, ao investir no mercado imobiliário.

No segundo bloco da entrevista, Danilo Vasconcelos respondeu às perguntas enviadas por telespectadores da TV Brasil Central. Ele foi questionado se o Estatuto das Afipe permitia a utilização do dinheiro auferido junto aos fiéis da Igreja Católica fins para investimentos em fins comerciais. E salientou que o padre não tinha nada no nome dele.

Danilo detalhou também como foi realizado o trabalho dos advogados de defesa dos principais envolvidos no caso. Ele criticou ainda o trabalho realizado pelo Ministério Público, o qual chamou de “Direito Penal midiático”.

No terceiro bloco da entrevista, o advogado explicou que a decisão do Tribunal de Justiça não afeta só a investigação em relação ao padre Robson. “A Justiça determinou o arquivamento das investigações, não importa quem estaria sendo investigado, mas mandou encerrar para todos”, disse.

Lembrou que “várias pessoas que fizeram negócios com as Afipe foram investigadas, tiveram suas casas e empresas invadidas e tiveram seus nomes veiculados nessa situação”.

ABC Digital