“O homem acha ainda que é dono do corpo da mulher, dono da mulher”, afirma Lúcia Vânia

A secretaria do Desenvolvimento Social Lúcia Vânia concedeu entrevista ao TBC1, sobre feminicídio

Na última sexta-feira, dia 1° de janeiro de 2021, uma criança presenciou a morte de sua mãe, em Goiânia. A mãe do garoto de 6 anos foi morta a tiros e o suspeito do crime é o próprio marido, um guarda civil. Com medo de ser morto, o menino chegou a pedir socorro para os vizinhos.

Este é mais um caso para estatísticas de feminicídio no Brasil. Nosso país ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Só em Goiás, nesta última semana, foram notificados três casos de feminicídio e outra tentativa.

Em entrevista nesta segunda-feira, 4, ao TBC 1, apresentado por Michelle Bouson, a secretária de Desenvolvimento Social, Lúcia Vânia, disse que o número de violência doméstica aumentou substancialmente durante a pandemia. Ela argumenta que o feminicídio está ligado com uma questão cultural, “o homem acha ainda que é dono do corpo da mulher, dono da mulher”, comentou.

A secretária ainda chamou atenção para a reincidência de violência. De acordo com ela, a mulher tende a perdoar, porque ao ser agredida, ela ainda pensa no filho ou na sustentação da casa, e acaba desculpando. Lúcia Vânia acredita que, há sim, como um agressor se recuperar e não comentar novamente crimes, mas é preciso um acompanhamento profissional. Inclusive a própria Secretaria do Desenvolvimento Social oferece esse serviço. Entretanto, é necessário que todas as mulheres estejam atentas aos sinais. A secretária explicou ainda que a violência contra a mulher pode começar de forma psicológica e infelizmente acabar em abusos físicos.

Apoio

Denunciar é fundamental para combater a violência contra mulher. As frentes do governo oferecem diversas formas de apoio à vítima de forma acessível. “Hoje temos WhatsApp e telefone, do Ministério da Mulher, em qualquer situação de emergência ela (a mulher) tem um apoio imediato, é acionado a polícia. Em Goiás temos a patrulha Maria da Penha”, contou Lúcia Vânia. Os números para denúncia são os seguintes: (62) 98306-0191; (62) 3201-7489; WhatsApp: (61) 99656-5008; ou pelo disque 180.

Sobretudo na pandemia, a patrulha Maria da Penha está empenhada em acompanhar todas as medidas protetivas necessárias para o acolhimento da vítima. A secretária ressaltou que é necessário tomar decisões mais robustas, como endurecer os projetos de lei referentes à segurança da mulher e oferecer uma educação ampla desde a base para combater este tipo de violência.

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