Na RBC, Superintendente de Saúde diz que preocupação agora é evitar a proliferação do coronavírus em Goiás

Flúvia Amorim diz que a letalidade é de 2% a 4%, dependendo do país, das condições de atendimento e da idade

Superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde de Goiás, Flúvia Amorim

Em entrevista hoje, 13, ao programa Fala Goiás em Rede, a Superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde de Goiás, Flúvia Amorim, disse que com a proliferação de casos no Brasil já era esperado que logo o coronavírus infectaria mais pessoas no Estado. Até agora, apenas três casos estão confirmados, mas, segundo ela, o sistema de saúde está se preparando para mais casos e a prevenção visa evitar que haja uma rápida e grande proliferação, o que dificultaria o atendimento. Em Goiás, no entanto, observou, a vinda dos brasileiros da China para Anápolis “nos beneficiou, porque desde o dia 29 de janeiro, antes de a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar uma emergência internacional, montamos nosso plano estratégico para com um bom esquema de atendimento em caso de contaminação”.

De acordo com ela, a doença é nova e exige que os protocolos sejam revisados a todo momento. “Com informações novas, a gente vai mudando”, assinalou, acrescentando que hoje a principal preocupação é com a rede de assistência, para que as pessoas com suspeita de coronavírus tenham uma assistência rápida e adequada. Toda a área técnica da Secretaria Estadual de Saúde (SES), salientou, se preparou desde a vinda dos brasileiros da China, se prontificando a para ajudar e trabalhar.

E acrescentou: “Isso se reverteu no resultado que a gente teve. Tivemos bons resultados na Operação Regresso, com participação muito positiva. Primeiro, apoiando as pessoas. Depois, em forma de conhecimento e capacitação. Nosso laboratório Central foi o primeiro laboratório regional a fazer a identificação sobre o novo coronavírus”.

Progressão da doença

Sobre a possível progressão da doença, Flúvia afirmou que é fato que os casos aqui vão aumentar: “Nosso trabalho agora é evitar que essa transmissão ocorra de uma forma rápida, com muitas pessoas doentes ao mesmo tempo para não aumentar a demanda das unidades de saúde”. Esclareceu que serão considerados suspeitos os casos da pessoa que apresente febre, tosse, coriza e que esteve em local com transmissão da doença, outro país ou continente ou que esteve em contato com um caso suspeito ou confirmado. “Dos três casos que temos confirmados, se alguma pessoa que teve contato com elas desenvolver os sintomas será considerada suspeita e precisará fazer o teste”, informou.

Grupos de risco

Afirmou que chegará o momento em que só serão testadas as pessoas mais graves, como aconteceu com o H1N1 em 2009, porque já vai ter a transmissão local sustentada, mas que Goiás ainda não está nesse ponto, não havendo segurança de que isso poderá acontecer. Sobre os grupos de risco, salientou que os casos da China e da Itália “mostram que os idosos têm uma chance maior de ter formas graves e morrer. Nesses países, vimos isso acontecer com pessoas que têm 80 anos e mais. Eles têm muitos idosos. É diferente no Brasil. Por isso, para nós, os idosos são prioridade, inclusive para receber a vacina que vai começar agora dia 23 de março”. Mas é uma vacina que não ataca do coronavírus e, sim, outros tipos de vetores da gripe.

Para prevenir contra o coronavírus, destacou que é importante e positiva toda medida que evite a aglomeração de pessoas. “O governador Ronaldo Caiado ontem foi bem claro, observando que vamos evitar todo e qualquer tipo de aglomeração, para evitar a transmissão alta aqui no nosso estado”, evidenciou, observando a necessidade de cancelar esses eventos, citando a Tecnoshow, de Rio Verde, que foi cancelada para evitar a aglomeração de pessoas, inclusive vindas de fora.

Sem pânico

“Aqui ainda não tomamos medidas mais drásticas, como em outros locais. Trabalho com os dados epidemiológicos, como número de casos, como está evoluindo, para quem está transmitindo. Tudo isso é muito dinâmico e essas ações agora podem mudar. A gente precisa se preocupar, mas não entrar em pânico”, assegurou, recomendando lavar as mãos e usar álcool gel. Quanto ao uso da máscara, disse ainda que só serve para pessoas que estão com sintoma de gripe e “o uso não é para você se proteger, mas evitar que o doente transmita para outra pessoa”. Quem não estiver com gripe, salientou, não deve usar máscara.

Sobre o que fazer caso a pessoa se sinta com os sintomas, assinalou que a porta de entrada para quem estiver infectado são as unidades de atenção básica de saúde, de emergência, como Cais e Upas. “O HDT, por exemplo, não é porta de entrada. As pessoas que vão para o HDT ou Hospital do Servidor são aquelas que já passaram por um atendimento médico prévio e que foram encaminhadas para lá. Da mesma forma, nos municípios. Quem são essas pessoas? As que apresentem sintomas como febre, tosse, sintoma gripal e que tenham dificuldade para respirar. O tratamento é o mesmo que se faz para quem tem uma gripe”, apontou.

De acordo com Flúvia Amorim, a preocupação maior é com idosos e pessoas que tenham uma diminuição da proteção individual. Informou ainda que a letalidade do coronavírus vai de 2% a 4%, dependendo do país. “Está relacionada também com a dificuldade de acesso ao atendimento de saúde”, ressaltou, acrescentando que preocupa ainda o número de pessoas que ficarão doentes, “porque aí precisam se afastar do trabalho”.

Sobre vacina, ela afirmou, baseando-se no que dizem os estudiosos, que em menos de um ano é difícil que ela apareça. Mas a pesquisa sobre medicamento é mais rápida e já há testes de medicamentos sendo feitos, inclusive com os que já estão disponíveis no mercado. “Isso será mais rápido”, finalizou. A entrevista foi comandada pelos apresentadores Josiel Meneses e Viviane Gontijo.

ABC Digital