Em coletiva, Caiado assegura continuidade de ações contra o coronavírus: “Aqui, a responsabilidade sobre a vida de 7,2 milhões goianos é exclusivamente minha. Eu assumo”

Governador rechaçou o tom de menosprezo do presidente da República em pronunciamento feito na noite desta terça-feira. Diante da repercussão do discurso de Bolsonaro, Caiado asseverou que assume a responsabilidade por Goiás e que no Estado não haverá mudança quanto aos decretos

Governador Ronaldo Caiado, em entrevista coletiva

Diante da grande repercussão gerada pelo pronunciamento em rede nacional de Rádio e TV do Presidente da República, Jair Bolsonaro, na noite desta terça-feira (25/3), e das consequentes dúvidas e preocupações por ele suscitadas, o governador Ronaldo Caiado convocou coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (26/3), na qual, de forma direta e categórica, assegurou que as medidas determinadas em seu decreto estão mantidas em Goiás.

Caiado abriu sua fala citando Barack Obama: “Na política e na vida, a ignorância não é uma virtude”. E continuou: “Com autoridade de governador e juramento de médico, as decisões do Presidente da República não alcançam Goiás. Isso posto, as regras que prevalecerão serão as regras do meu decreto, seguindo critérios regulados pela Organização Mundial da Saúde e pelo corpo técnico do Ministério da Saúde”.

Como médico, o governador expressou toda sua indignação com o tom de menosprezo à seriedade da pandemia que permeou o pronunciamento do presidente da República. Em sua avaliação, tratar o coronavírus como uma simples ‘gripezinha’ é um ato, ressaltou, “de extrema irresponsabilidade”. “Fui aliado de primeira hora, durante todo tempo. Não posso admitir que o presidente venha agora e lave suas mãos, responsabilizando outras pessoas por um eventual colapso. Não é isso que esperamos de um governante, de um Estadista, em um momento como este, mas sim humildade e serenidade. Numa guerra, não se aceita transferir responsabilidade a outros”, expressou o governador. “Aqui em Goiás, a responsabilidade sobre a vida de sete milhões e 200 mil goianos é exclusivamente minha. Eu assumo”, frisou Caiado, destacando que tal prerrogativa lhe é assegurada pela Constituição Federal.

Coincidentemente, a Carta Magna celebra neste 25 de março, 196 anos de sua outorga. “A autonomia que conclamo me é garantida pela Constituição Brasileira, que em seu artigo 24, inciso XII, garante aos governadores a prerrogativa de legislar de forma concorrente, no que diz respeito à defesa da Saúde Pública. Se decisões tiver que tomar, as farei junto ao STF [Supremo Tribunal Federal] e ao Congresso Federal, ao lado dos Poderes constituídos.”

Caiado também condenou aqueles que, em um momento tão delicado, frente à maior crise sanitária que assola a humanidade no século XXI, muito estejam colocando vidas em detrimento do lucro. O governador entende que a economia sofrerá incalculáveis perdas, mas que o momento é de priorizar a Saúde.

“Muitos colocam a tese de que teremos um colapso econômico de grandes proporções. Ao colocar na balança – o que é mais importante? A vida ou a economia? Nós podemos fazer as duas coisas. Existem aqueles que são guiados pelo lucro e pelo dinheiro. Mas a grande maioria do empresariado goiano pensa diferente e tenho que reconhecer o apoio que temos recebido”. E reiterou: “Não temos a vacina para a Covid-19, não sabemos como se comporta. Até então, o único dado conclusivo é de que apenas o isolamento pode conter sua disseminação”. Assim, pontuou que saberá ponderar o momento adequado para flexibilizar as regras de isolamento social.

Secretaria de Comunicação - Governo de Goiás